MESTIÇO EM DUAS FACES: UM CONTRASTE ENTRE BELEZA E FEIURA RETRATA OS EFEITOS DA SECA - Mestiço News | Notícia de Verdade

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09/11/2016

MESTIÇO EM DUAS FACES: UM CONTRASTE ENTRE BELEZA E FEIURA RETRATA OS EFEITOS DA SECA

Povoado sofre danos pela escassez de chuvas que já duram mais de cinco anos


O povoado Mestiço, localizado a 33 km da sede do município de Pimenteiras é um lugar exuberante. Compreendem ainda à sua polarização as localidades de Tapera, Ponta D’água, Saco dos Martins, Malhada Alta, Baixio, Coqueiro, Brejo dos Silvas, Barra do Manu, Marcos, dentre outros. Boa parte dessas localidades está situada às margens do Rio Sambito. Algumas tiveram o privilégio de estarem situadas no trecho onde rio se torna perene, como é o caso da Ponta D’água e da Tapera.

Nascente de água no Rio Sambito na Comunidade Ponta D'Água
/ Foto: Mauro Junior 

Basicamente, as populações dessas comunidades se despontaram através do cultivo agrícola, especificamente, através da agricultura de subsistência.
A localidade Mestiço, que é o “centro metropolitano” desses povoados, não diferente das outras, traz um histórico de cultivo de diversas culturas agricultáveis como é caso do milho, feijão, mandioca e caju. Há alguns anos atrás, os agricultores chegavam a exportar significativa quantidade de sacas de feijão e de derivados da mandioca, a exemplo da goma e da farinha, para as feiras-livres da região, na sua maioria, para as feiras das cidades de Valença e Inhuma.
Plantação de milho consorciado com feijão
Imagem da Internet

Consórcio de milho, feijão e mandioca
Imagem da Internet

Até meados da segunda metade da década de 2000 era comum ver, aos sábados principalmente, carros carregados de feijão para ser vendido na feira de Valença. No entanto, desde o início da década de 2010 o problema da escassez de chuvas vem se acentuando a cada ano de forma que hoje são poucos os agricultores que conseguem colher o feijão que seja o suficiente pelo menos para a subsistência da família entre uma safra e outra.
Para aqueles que são da roça mesmo e que gostam de trabalhar no manejo da terra, a escassez de chuvas é algo triste. Por outro, lado, a falta de chuvas também prejudica o criatório. Isso porque boa parte dos criadores soltam o seu gado durante o período chuvoso nas conhecidas “soltas” para se alimentarem dos brotos de arbustos e árvores. Os criadores ainda sofrem com a falta de chuvas no quesito água, para saciar a sede do gado. Historicamente, o poço da Gangorra no trecho do rio Sambito que compreende o povoado Mestiço, foi ponto de referência para matar a sede do gado que descia da caantinga. Hoje, em meados do mês de novembro, ele encontra-se quase seco.
Criação de bode nas pedras do Poço da Gangorra
Foto: Mauro Junior

Poço da Gangorra quase seco
Foto: Mauro Junior


Canon da Ponta da D'Água
Foto: Mauro Junior

Rio seco no trecho conhecido como "Passagem do Edmundo"
Foto: Mauro Junior

Poço da Gangorra
Foto: Mauro Junior

Canon da Ponta D'Água
Foto Mauro Junior 

Poço da Gangorra
Foto: Mauro Junior

É um triste contraste que se gera pela falta de chuvas: uma paisagem que quando chove traz uma beleza espetacular, com a falta de chuvas torna-se feia e melancólica. Que Deus tenha misericórdia e mande chuvas novamente! Que se possa ainda ver a alegria dos agricultores estampada no rosto por ver a roça cheia de legumes e o gado com o pelo liso de gordura! Que se possa ver a rapaziada descendo nas ribanceiras do rio Sambito com suas linhas de anzóis e depois subindo com as “enfieiras” cheias de traíras, barriga-moles, piaus, “cromatrás”,carís e mandís! Que se possa ver alegria dos banhos de sol na Ponta D’água, enfim, que Deus mande chuva e que com ela chegue a beleza da vida que emana da terra cultivável!

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